Semana Santa

Chegamos a celebração de mais uma Semana Santa em nossas vidas: um tempo de muita graça e de santificação. Vamos caminhar com Cristo os caminhos que Ele percorreu na Via Crucis para nos salvar. Este caminho santo abre a possibilidade de todos os batizados, vivendo em conformidade com o Evangelho, possam viver a santidade e ganhar o céu!

A Semana Santa: tempo de reflexão e libertação. Entramos na Semana Santa, tempo em que celebramos a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Ao reviver os passos de Cristo da morte para a vida, da treva para a luz, somos igualmente convidados a uma transformação profunda. É como um processo de evolução pessoal, do qual sairemos melhores do que entramos. São João Paulo II nos recorda a força transformadora da Páscoa: “A fé garante-nos que essa passagem de Cristo ao Pai, ou seja, a Sua Páscoa, não é um acontecimento que diga respeito só a Ele; também nós somos chamados a tomar parte nela: a Sua Páscoa é a nossa Páscoa” (Carta da Quinta-feira Santa de 1999)

Vamos ver alguns passos para deixar a alegria da Páscoa invadir nossos corações?

As libertações da Semana Santa: A Páscoa tem origem na celebração da saída dos hebreus do Egito, quando foram libertos da escravidão. Para nós, cristãos, a data simboliza a libertação de Jesus e a salvação de nossos pecados. Esse movimento de libertação continua ao longo de nossas vidas. É um processo sobre olhar para si mesmo, aceitar as próprias fragilidades e ter um firme propósito de mudança. Dessa forma, seja transparente com você e lembre-se: é a partir do encontro consigo mesmo que encontramos a Deus.

Em seguida, trouxemos duas reflexões para este período:

Quais libertações eu preciso vivenciar? Como posso ser hoje um cristão melhor do que fui ontem? Rezar, jejuar, socorrer ao longo da Semana Santa. Esta é uma semana de maior silêncio e reflexão. É no silêncio que nos conectamos verdadeiramente com o Pai, assim como fez Jesus no Horto das Oliveiras, pouco antes de ser entregue. Ali ele sentiu o peso de sua entrega, mas deu-se conta de que o Pai sempre estava próximo. Dessa maneira, a Semana Santa requer, sobretudo, momentos introspectivos de meditação e de oração. É a hora de reconstruir a própria fé e abrir a mente e o coração para Deus. Podemos aproveitar as orações, as leituras bíblicas e as celebrações.

Recomenda-se o jejum como exercício de privação, que nos conecta ao nosso corpo e nos liberta do supérfluo. Da mesma forma, os gestos de caridade, de ajuda aos mais necessitados, nos abre para a necessidade do outro, assim como fez Jesus em sua vida e morte.

Vivenciar o Tríduo Pascal: Os três dias mais intensos da experiência cristã são a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira da Paixão e o Sábado de Aleluia. Entender cada um dos dias é fundamental para celebrar esse período de maneira mais intensa.

Quinta-feira Santa: Jesus reúne os seus amigos para celebrar a última ceia com eles. Deixa para eles, e para nós, o memorial de seu corpo e sangue. Além disso, revela no gesto do lava-pés o modo como devemos nos tratar como irmãos e irmãs: “Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.” Jo 13, 12-15

Sexta-feira da Paixão: Jesus é preso, levado ao tribunal romano e condenado. Sofre o escárnio e a violência. É obrigado a levar a própria cruz, é crucificado e morre ao lado de ladrões. A contemplação do sofrimento e de seu sentido para nós nos acompanha nesse dia de maior silêncio e jejum. A celebração principal acontece às 15 horas, horário em que Jesus foi morto. Neste dia, que é o único dia que não se celebra a missa, é obrigatório a participação na Ação Litúrgica das 15hs em memória da Morte de Jesus, com a comunhão geral. Recomenda-se resgatar as últimas palavras de Cristo na cruz: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”; “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”; “Mulher, eis aí o Teu filho (…) Eis aí a Tua Mãe”; “Tenho Sede!”; “Eli, Eli, lema sabachtani? – Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?”; “Tudo está consumado!”; “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!”. 

Sábado Santo: Reunimo-nos na Vigília Pascal para celebrar, com cantos de alegria e júbilo, a ressurreição de Jesus. A vida vence a morte e nós somos salvos. Acompanhamos os discípulos e discípulas na experiência radical da ressurreição: “Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, na Galileia. Lá vós o vereis, como ele mesmo tinha dito.” Mc 16,1-7

Celebrar a Páscoa todos os dias: O verdadeiro sentido da Páscoa não se esgota nesta santa semana. Vivemos a ressurreição todos os dias. Que possamos acima de tudo relembrar diariamente o tamanho do amor de Cristo por nós e fazer disso nossa fonte de renovação constante. A Páscoa está em nós sempre, pois a vida se transforma, a esperança ganha força, o amor se expande! Cristo ressuscitou, aleluia!

Desejo-lhe e à sua família uma Santa e Abençoada Páscoa! Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, Aleluia, Aleluia, Aleluia!

 

Padre Wagner Augusto Portugal.

Você também pode gostar